quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Mein Deutsch ist doch kaputt!

Entrando em casa, encontrei uma mãe super simpática – e curiosa, como toda mãe. Mas que não falava nada de inglês – quanto menos português, é claro. Foi divertido, consegui me apresentar – e novamente foi tudo! Ursula, o nome dela (descobri hoje, há pouco). Aqui chamamos de Ushi!

 

Conhecendo ela, descobri que definitivamente mães são melhores professoras – ao menos de idioma (e isso me lembrou minha bonitinha de volta!!). Como descobri isso? Simples... Quando eu pegava algo na mão, ou quando ela me oferecia, ela dizia o nome e me olhava, esperando que eu repetisse para ver se aprendi. Foi bem legal, e a primeira palavra foi Mosreich (mostarda; nicht gut rsrs).

 

A Ushi tem uma pousada super simpática aqui, onde estou hospedado por esta semana. É um lugar muito bem construído, com um jardim bem legal. Eu podia mesmo morar aqui, não precisava de mais nada.

 

Até porque não tem mais nada. Elgersburg é tão pequena que andamos cerca de 5 minutos de carro e já estamos em outra cidade. Aliás, em 5 minutos estamos no centro da outra cidade!

 

E por falar em cinco, cinco quilômetros é o que a mãe do Willy corre com certa freqüência. Como bom corredor, já disse que correrei com ela. O percurso? A floresta que tem ali há poucos metros da casa. Parece divertido – e difícil, uma vez que estamos num morro lembra?! Ela também nada e pedala, mas pedalar vai ser complicado por aqui (sem uma bicicleta...).

 

De qualquer forma, nem parece que hoje ainda é segunda-feira. O dia é super longo – principalmente porque quando aqui é meio-dia no Brasil o dia está apenas começando. Isso faz parecer que a noite daqui é a tarde daí, e então parece que temos muito tempo! Ainda há pouco falei com o pessoal no escritório, e agora já são 22h30 – posso receber até um processo por falar com o pessoal a este horário sem pagar hora extra!

 

Um grande empecilho encontrado aqui por mim também foram as tomadas. Primeiro pois são 220V (mas isso não me surpreende, macaco vacinado não fica doente) e segundo porque o padrão é diferente. Ou seja, nada do que eu trouxe liga na tomada. Esse problema, porém, foi simples... Fomos a Ilmenau e compramos o adaptador.

 

Por falar em Ilmenau, ali experimentei o verdadeiro gosto da frente fria alemã – e tive saudades da frente fria curitibana. Nossa, Curitiba é muito quente!! Mas o clima é o de menos, até a garoa tinha gosto alemão e me fazia rir...

 

Entramos num café pequeno no centro da cidade, que me lembrou a rua XV. Fotos? Nichts, chovia! Mas a memória fica... O cappuccino de EUR 1.7 rodeado de velhinhos foi bem legal, e depois fomos ao mercado. Incrível. Tudo aqui é barato! Assim, barato mesmo! É claro que se você converter os preços é caro, mas o alemão é muito feliz nesta parte: ganha muito, gasta pouco e está tudo bem! Um red bull, por exemplo, custa EUR 1.5, e uma barra de chocolates grande custa EUR 0.39! E ainda é chocolate alemão!!

 

Os alemães tem mesmo uma queda especial pela salsicha. Salsicha é wurst em alemão; existe tudo-que-se-possa-imaginar-wurst aqui. Weißwurst, Rotwurst, tudowurst. Ainda não experimentei, mas ainda tem tempo... Aliás, é só o primeiro dia e já escrevi umas oito páginas. Em duas semanas acho que sai um livro!

 

Comi alguns confeitos diferentes também. Vi num filme (olha a citação de cultura de massa, mas tudo bem) chamado A Praia que, se vamos a algum lugar, devemos estar dispostos a conhecer mesmo a cultura local. Bem, vim pra cá com esta cultura – e estou experimentando de tudo! Ai se minha mãe sabe hehehe... Mas mãe, se serve de consolo, não estou gostando de quase nada que eu já não gostava! : )

 

Mas uma coisa que eu gostei – ou ao menos comi sem problemas – foi torta de queijo – ou kuki de queijo. Aliás, kuki é mesmo um bolo alemão: eles tem MUITOS tipos aqui! Não é papo de catarina...

 

Meu alemão agora, no fim do dia, já começa a melhorar. Tive de ir a uma loja comprar roupas formais de frio, uma vez que só trouxe roupas formais “de calor” (paletó? Pullover? Nichts!). O Willy teve de trabalhar, mas a Ushi me levou para Ilmenau e compramos. Consegui falar mais de quatro frases com ela, foi legal!! Ela me ensinou os verbos aufmachen e zumachen (eu já sabia, mas lembrar?! Nichts...) e algumas palavras de vocabulário. Também me deu a opinião sobre a roupa, e me ajudou a dizer o que os alemães consideravam formal e o que não consideravam. Foi produtivo, fiquei feliz! E comprei um pullover bem bonito por EUR 25. Nicht teuer, nicht billig... Mas entendi direitinho quando a moça do caixa falou EUR 25.

 

Na volta de Ilmenau, minha mala já estava aqui. Bom, muito bom! Agora estou tranqüilo em relação a isso, e mais tranqüilo ainda fiquei em saber que “água na europa é caro” é tudo balela. É claro, eu ainda desconfio disso, e desconfio se me disserem que as pessoas “gostem de gastar” água (como no Brasil), mas é mito! O povo aqui é que não gosta mesmo de tomar banho. Cascão!

 

E cascões num país fazem da coisa toda uma coisa engraçada: ninguém te olha torto se você cheira bem (e “gastou muita água tomando banho”), mas ninguém te olha torto se você cheira mal (e muita gente cheira mal)! Mas o Willy dá risada enquanto diz, em português, “muito fedido!”. E eu dou risada junto, concordando e agradecendo em silêncio por não precisar ficar sem meus dois banhos diários.

 

Não, calma pai... Não pule da cadeira, meus dois banhos diários são bem curtos. Na verdade, não passo nem 20 segundos com a água aberta. É mais ou menos assim. Primeiro eu tiro a roupa. Depois posiciono o box numa posição que seja rápido para entrar e fecha-lo depois que a água estiver correndo. Então, ligo a água e espero alguns segundos. Quando ela chega na temperatura do meu corpo eu entro e me molho! Mal ela terminou de esquentar e eu já me olhei, então ela é fechada! Ensaboa em cima, ensaboa no meio, ensaboa em baixo, esfrega aqui, esfrega lá, e está tudo bem! Liga a água de volta, enxágua, e pronto! Banho tomado... Não demora 2 minutos no total, e saio me sentindo super bem!

 

Ah, a Alemanha é mais fantástica que eu esperava... Eu esperava um país onde, pelo menos, eu precisasse gastar MUITO dinheiro pra viver. Até agora, acho que teria gastado mais se tivesse no Brasil. Ah, se tivesse lá solteiro, claro (e quando minha bonitinha ler isso espero que ela já esteja fora da TPM hehe)...

 

Mas é isso. Amanhã vamos para München. Vai ser interessante, vamos pegar a Highway. Segundo consta, dá pra ir a 240km/h. Não sei até agora se gostei da idéia, mas eu tenho que experimentar de tudo, não é mesmo?! Abraços, e-ponto.

Um comentário:

Unknown disse...

Filho amor
que viagem heim !!!
apesar de sentir um pouquinho de ciúmes desta mãe alemã rsrsr, estou feliz por voce e fico mais tranquila pois sei que voce está sendo bem tratado mas não goste demais dela viu? rsrsr