Quando fiz o check-in no Galeão, a moça me indicou que eu devia ir até o Terminal 1 para registrar os eletrônicos de saída, e depois embarcar no Terminal 2. Eram pouco mais de 14h e eu devia embarcar até as 16h, e o Terminal 1 – que parecia ser ali na esquina pela forma como a moça falou – acabou que ficava há mais de 2km de distância – a pé, claro.
Preocupado com o horário, praticamente corri até o outro terminal, registrei a bagagem e voltei para o embarque. E até parece que tinha pouco tempo... Eram 15h30 quando eu entrei, mas devia embarcar apenas às 17h15. Espera longa...
Como eu só trouxe livros estrangeiros, e eu tava de saco cheio deles, resolvi comprar um Sudoku – e uma caneta. A caneta custou a mesma coisa que o livro (só no Brasil?), mas assim que minha bunda encontrou o assento da cadeira da sala de espera soaram os primeiros acordes do Samba de Verão. Acho que nenhum dos eventos tinham ligação, mas a flauta que iniciou poucos segundos após me fez levemente arrependido pela compra. E ao mesmo tempo feliz de estar no Rio ouvindo bossa nova... Era o mínimo que eu esperava daquele lugar :).
Embarquei e lá se iniciava a viagem. Os primeiros 30km passaram tão rápido que eu imaginei que os próximos 7700 seriam moleza. Doce engano... Depois que o número ganhou 3 dígitos eu já não agüentava mais olhar aquele monitorzinho... Para a minha sorte, aparece “clique na tela para o programa de entretenimento”. E lá fui eu escolher quais filmes eu veria...
O chato de viajar contra o fuso é que você perde algumas horas de sono – e ninguém parece muito preocupado com isso. Eram ainda 23h quando eu resolvi dormir, mas 5h quando o café da manhã foi servido. O problema nisso? 5h eram na verdade 2h! Você dorme num fuso e tem que acordar no outro. Estou podre até agora, mas acho que a volta vai ser menos traumática...
Ao desembarcar em Portugal, fomos de ônibus até a entrada. Grande o aeroporto, mas pobre – como todo o resto da cidade, pelo que pude ver dos vidros de lá. Ainda assim, estava super legal. O sol nascia e eu, há pouco saído de um avião sugestivamente chamado “Vasco da Gama”, não parava de sorrir...
Até que eu parei de sorrir. PENSA NUMA FILA para entrar num país europeu... A imigração pareceu ser bem rígida, e a fila era enorme! Eram 7h e às 8h35 saía a minha conexão... Na fila, apenas pessoas que falavam português... Em geral, eram africanos ou algo parecido com isso (não eram afro-americanos, africanos mesmo...). Provavelmente o vôo anterior vinha dali, e eles pareciam estar bem tranqüilos – diferentemente dos brasileiros. Brasileiros aqui fora são engraçados – e reconhecíveis.
Dentre o reconhecível distinto grupo, vários personagens se destacaram. Um casal a poucas pessoas à minha frente me lembrou meus pais. O homem passava uma impressão tensa, de quem se preocupava com alguma coisa, e a mulher uma sensação desesperada, de quem realmente se preocupava com alguma coisa. Não demorou muito pra eu descobrir. Um funcionário do aeroporto passava apressado quando ela – tal qual minha mãe (desculpa, mãe! Hehe) – o chamou apressada e escandalosamente, como se ele realmente tivesse culpa daquela fila. Ela dizia que o vôo partiria às 8h. O funcionário a explicou, então, que os vôos que estavam para sair eram anunciados para as filas, e os imigrantes teriam prioridade para que não perdessem seu vôo. Outra questão: estamos na Europa! Se você perder um vôo eles vão pagar outro pra você! Paraece óbvio – mas não pra todo mundo. Pouco tempo depois, quando o rapaz anunciou o vôo lá longe (e ela não escutou), ela foi lá perto para verificar o que ocorria. Achei esquisito que ela foi e o marido ficou! E ela nem fez menção de chamá-lo... Mas também pudera: a nossa fila já estava por pouco, e o marido acabou entrando no país mais rápido que ela. Conclusão: mulheres em desespero tomam decisões estranhas... hehe (desculpe-me, bonitinha ehhehehe)
Também reconheci um chato, que entendia de tudo de um lugar (no caso, da França)! Não sei porque, mas sempre que reconheço um chato o olho com desdenho, mesmo sabendo que eu seria exatamente igual naquela situação (no caso dele, ele levava dois amigos para a França mas ele conhecia muita coisa lá). Daí eu entendo como é chato quem entende muito das coisas. Quer dizer, é legal, mas é chato. Não sei explicar, mas é chato. Sempre que vejo isso fico pensando que devo dar menos opiniões nas outras coisas, mesmo que saiba uma forma melhor ou pior de fazê-las...
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