sábado, 27 de setembro de 2008
E eu tô voltando pra casa!!!
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Strüdelteig
Berlin, Erfurt, compras e italiano
terça-feira, 23 de setembro de 2008
75 anos, chantily no strudel e falando inglês!
Domingo, antes de ir à Berlin (tirar meu primeiro e único dia de férias por aqui) fomos a um aniversário da meia-irmã do Willy, a Claudia. A família deles é bem engraçada, e bem típica alemã: a avó aposentada cozinhou para os convidados da festa (que foi na própria casa dos avós), enquanto o avô nos recebia. Lá em cima, mãe, irmã, sobrinha, outra avó e muita alegria.
Lembrou-me muito como nós a festa deles. Muito animados, festa pequena (tinha apenas 8, e eu lá de penetra...), comida MUITO bem preparada, e muita gente falando. Nunca tive tanta dificuldade pra entender algo... porque veja: alemão já é complicado; agora imagine aquelas reuniões de família onde importante mesmo é falar, e não ouvir; agora imagine todo mundo falando alemão ao mesmo tempo, e alguns ainda com dialeto! Difícil de imaginar? Imagina de estar lá dentro...
Mas ainda assim foi bem interessante; consegui estabelecer alguns diálogos curtos com algumas pessoas... Já haviam me falado isso, mas ver uma criança falando é muito engraçado. Fiquei pensando que até ela, com talvez 8 anos, fala alemão... E eu, nada! Hehe....
Mas mais legal mesmo foi com os avós. São pessoas extremamente saudáveis, felizes e sãs – pra não dizer orgulhosos. Mas isso acho que todos são... De qualquer forma (já comentei isso aqui) sempre que temos pessoas um pouco mais velhas aqui, lembramos da guerra e do que devem ter passado. Isso, no entanto, não parece afetar a sanidade deles ou qualquer coisa assim...
Prova disso foi a outra avó da Claudia, que com 75 anos e uma doença que a faz tremer um pouco várias partes do corpo, quando pegou um pedaço de Apfelstrüdel e não hesitou em pegar a lata de chantily e dê-lhe chantily!!!! Fiquei mesmo impressionado! Nem eu como tanta porcaria hehe...
E o mais engraçado ainda, como se não bastasse, foi que depois, quando eu estava falando sobre o Brasil com o avô do Willy (entenda, não era uma conveeersa, era uma tentativa de bate-papo), ela simplesmente começou a falar inglês comigo. Ah, daí foi demais pra mim rs...
Eu sei que de longe pode parecer que foi simplesmente uma exceção, mas não é não; a Alemanha é mesmo um país muito velho, mas os velhinhos aqui estão com tudo! São sempre muito politizados e muito fortes... Ninguém aqui tem cara de ser muito fraco! É bacana, uma sociedade que cresce saudável – e trabalhadora, muito!
No fim do dia, depois de passear e conhecer a cidade (que esqueci o nome mas depois eu lembro), visitando dois castelos (um fechado, no entanto), pegamos a Autobahn rumo à Berlin. E Berlin, hmmm... ponto ponto ponto.sábado, 20 de setembro de 2008
Dei risada em alemão!
Erfurt...
Velocidade é mesmo uma medida relativa. 20km/h por hora para um carro, por exemplo, é super lento; para um corredor, é super rápido. 160km/h para um brasileiro, por exemplo, é super rápido; para um alemão, é super lento. E foi assim que ontem, a 230km/h, fomos para Erfurt “pegar uma balada”. Balada não, barzinho. Alemão. Mas ainda assim, balada.
As baladas aqui são bem diferentes das do Brasil – claro. Em geral são barzinhos; lugares pra dançar, mesmo, tem pouco; e o house, que domina os ouvidos de quem está lá dentro, no meio da noite dá um lugar a uma lambada que todo mundo adora. Mas ninguém sabe que é ou o que é lambada, para eles pode ser uma música africana. Ainda assim, todo mundo gosta!
Erfurt é legal. É uma cidade pequena mas grande; é um meio termo, algo como uma pequena Curitiba. Bem organizada – claro, com muita gente, e algumas coisas curiosas. Uma delas é o barzinho onde fomos, que fica no mesmo prédio da prefeitura da cidade! O outro são duas igrejas de estilo gótico, uma católica e outra evangélica, situadas no mesmo terreno. É, no mesmo terreno! Talvez cinco metros separem as duas construções, que estavam fechadas e nada por dentro pude eu ver.
Lembra que eu comentei que a guerra aqui ainda é muito presente? Pois é... Quando estávamos indo para os Alpes, ouvimos pelo rádio que tinham acabado de encontrar uma bomba da segunda guerra, e a destruiriam num lago que estava no caminho. Tivemos que desviar... Simples assim...
Hoje fomos visitar uma torre medieval. Aliás, está tendo uma festa medieval aqui na cidade, e o dia inteiro estamos ouvindo gaitas-de-fole e pessoas gritando. É bem divertido, dá mesmo pra imaginar como era 500 anos atrás. E foi neste clima que subimos até o topo da floresta e almoçamos num restaurante bem típico. E daí fomos à torre, claro. Detalhe: a torre é só um luxo que um grupo de poetas construiu, há pouco mais de 100 anos. Ou seja, não é da época medieval, mas sim uma fantasia histórica de um grupo de gente doida. Mas é legal mesmo assim, valeu a pena.
Daí agora estamos aqui, com a calefação ligada e um friozinho aconchegante nos dizendo pra ficar
No mais é isso. Vou lembrando das coisas aos poucos, e vou esquecendo também. Por hora, sei que amanhã à noite partimos para Berlin, de férias até segunda-feira! rs...
Para quem tem acesso, meu orkut tem algumas fotos dos Alpes. Não publiquei todas ainda, é preciso tempo (e paciência neste laptop) para tratar todas...
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Correndo na floresta
Hoje o dia começou tarde. Eram pouco mais de 11 horas da manhã quando levantei. Finalmente consegui dormir um pouco, o fuso horário ainda não se adaptou comigo... Mas tudo bem!
Durante o nescafé, o tio do Willy puxou conversa comigo – auf Deutsch, natürlich. Foi legal, entendi bastante coisa e conseguimos trocar umas dez frases sobre meu próprio alemão, e quanto rápido eu estou aprendendo. Começo mesmo a acreditar que eu começo a aprender algo do idioma.
Trabalhei durante o dia (finalmente!) e no fim do dia fui correr com a Ushi. O caminho: a floresta. Muito legal! Não é só no Brasil que existe verde, aqui existe também – e adivinha? A floresta é mesmo organizada. Existem pessoas que limpam mesmo a floresta, e – talvez por causa do frio – não existem aranhas, cobras ou algo do tipo. A paisagem é linda...
De volta pra casa, fomos para Weimar para jantar. Tinha um campo de concentração lá, mas não conseguimos ver pois já era noite...
A Alemanha tem um negócio legal nos carros. Os rádios podem exibir texto. Ou seja, você sintoniza na estação e tem o nome dela aparecendo no seu rádio. É algo legal, meio inútil, mas legal.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Bate-volta até ali, nos Alpes austríacos
O dia começou cedo. Acordei às 7h da manhã, não tomei minha ducha matinal (pois estou na Alemanha, só tomo se precisar) e meu nescafé da manhã foi acompanhado de pão com wurst. Já estava vestido formal, e em poucos minutos estávamos entrando no carro e indo para München – cidade da BMW e daquele filme doido -, no estado da Bavária (Bayer).
Para ir, pegamos uma via chamada Autobahn (ler texto anterior). É uma rodovia normal, exceto que a uma determinada altura da bagunça tem uma placa com três riscos pretos na diagonal. Significa: “pisa!!!”. E só dá Porsche, Mercedez e BMW passando a gente pela esquerda como se nós estivéssemos a 60km/h – mas estávamos a 160km/h... Foi bem legal; o índice de acidentes aqui é mais baixo do que nas nossas estradas de 110km/h de limite...
A viagem foi bem bonita. As florestas aqui são todas reflorestadas, e “duram” 20 anos. O legal é que é tudo tão bem feito que até os animais são controlados: se tem pouco eles colocam mais, se tem muitos eles caçam, e se constroem uma estrada no meio da floresta eles criam uma ponte para animais, cheia de vegetação e coisas assim para que os animais pensem que estão realmente passeando pela floresta!
Durante o caminho, muitos castelos faziam da paisagem bem diferente. As plantações aqui também são diferentes – cada proprietário, segundo o Willy, possui apenas dois ou três hectares plantados. Daí a gente entende como pode eles ficarem “loucos” com a idéia de plantar 5 ou 10 mil hectares no Brasil...
Em München a coisa foi normal. Parece São Paulo, mas menor e BEM mais segura. Tem muito “cimento”, é cheia de metrôs, bondinhos e carros dividindo as ruas e bicicletas por todo lado, mas também há o centro histórico – que é fantástico. Existem muitos prédios em reforma aqui na Alemanha, e isso se deve basicamente à segunda guerra que destruiu tudo. Aliás, a segunda guerra aqui é bem presente ainda no dia-a-dia...
Lá na cidade, fiz meu primeiro pedido sozinho. Consegui me virar e entender até uma pergunta do garçom. Não entendi a resposta de outra coisa que perguntei, porém, mas tudo bem, não devia ser importante. A comida veio certa e o troco também!
Durante o jantar, surgiu a idéia dos Alpes – estávamos há pouco mais de 50km de lá. Quando o Willy decidiu que ia me levar lá, eu sorri feito criança! Eu ia conhecer os Alpes!! Eu tinha tido já boas notícias durante o dia (mas profissionais, não comentarei aqui) e agora iria visitar os Alpes!! Que mais eu precisava?
O Hostel onde ficamos era super bom, chamado Wombat’s. Wombat’s é um bicho parecido com capivara, e lá fomos não só muito bem recebidos como gostei muito da limpeza do local. Em Berlin ficaremos
Já passava da meia-noite quando retornamos ao Hostel para dormir. Estava super feliz, tomaria o banho mais demorado da Europa! Eu sairia super limpo, super cheiroso, super bom, super... sem memória! Abri minha mala e me dei conta que havia esquecido Shampoo e sabonete. Minha idéia de um belo banho resumiu-se a uma bela ducha! Mas foi bom também, deu pro gasto – e pro cheiro...
O fuso ainda está complicado, mas mesmo assim acordei novamente às 7h (o Willy gosta desse horário)! Fomos andar por München e depois, às 10h, pegamos o caminho para os Alpes. Como estou aqui a negócios, e não realmente a passeio, é complicado ter tempo para passear. Precisamos definir – e eu definitivamente certo – decidi que os Alpes eram melhor opção.
QUE opção! Sabe Floripa? Não gosto mais de lá. Na verdade, floripa é feia, horrível, suja, não tem nada pra ver lá! Bom, não depois do que eu vi aqui... Estou fascinado até agora. Tirei as primeiras 200 fotos da Alemanha (não havia tirado ainda, afinal, todo mundo já viu foto da Alemanha.. é igual Blumenau! Ehhe), e estava boqui-aberto. Os alpes são fantásticos...
E fantástica também era nossa capacidade de achar que o carro andaria a vácuo. Por poucos quilômetros não ficamos sem combustível, em plena estrada para os Alpes, quase na divisa com a Áustria, e com 4º.C lá fora. Quando achamos um posto, comemoramos com um grande alívio – uma vez que andar os estimados 10km de sapato seria algo bem complicado...
Por EUR16 fomos até o topo da primeira montanha (Rofan), com pouco mais de 1000m de altitude. É claro que já estive nesta altura, até mais alto, mas nunca nos Alpes. Nunca com esta paisagem. Nunca falando alemão (bom, isso nunca mesmo, nem agora hehe). E foi quase tão bom quanto voar!
Lá cima as árvores estavam cobertas com um treco branco! Que legal! Era neve! Eu nunca tinha visto, e novamente lá estava eu com cara de criança... O Willy me surpreendeu com uma bola de neve na perna enquanto eu tirava as primeiras fotos, mas eu não tinha nem capacidade de pensar em fazer o mesmo. Eu tava tão bobo que só pensava em tentar fotografar tudo. Acho que ficaram um lixo as fotos, não sei fotografar neve (a fotometria é diferente!), nem fotografar Alpes (é muuuito grande), e nem fotografar! Imagina então tentar fazer algo que eu não sei num lugar que eu não consigo e numa condição que eu nunca estive?! Eu hein...
Depois toquei na neve, fiz bolinhas e taquei nas árvores, nas pedras, enfim... Foi bem legal. BEM legal!
Os Alpes, na real, representariam pra mim algo bem próximo de um paraíso para minhas horas de laser. É possível andar/correr, pedalar, escalar e voar de parapente no verão (vi tudo isso lá), e esquiar no inverno (algo que fiquei LOUCO para fazer agora). Do que mais eu preciso?!
Na hora até comentei com o Willy que preciso voltar no inverno, e que espero que minha bonitinha venha junto na próxima – já que ela também corre e possivelmente ia adorar esquiar hehe... Quem não iria...
Lá também fui eu quem fiz o nosso pedido de almoço. E – bem – ela nos deu o que eu queria! O idioma começa a fluir um pouco melhor, hoje já consegui dizer pra mãe do Willy que achei München muito legal, e que nós também tínhamos ido aos Alpes – os quais eu tinha achado muito bonitos. Coisas simples, mas é melhor do que o Hallo simples do primeiro dia...
Bom, as fotos dos alpes vêm na seqüência para os mais chegados (os outros podem buscar na internet mesmo, é bem igual àquilo que a gente acha que é; só que ao vivo é impressionante hehe).
Daí é isso. De volta à Elgersburg, comi agora uma pizza de turco por EUR4. Mais do que justo, hã?! E agora, trabalhar um pouco e dormir! Estou muito empolgado, mas muito cansado... Dormir começa a me fazer falta!! Abraços a todos, e-ponto.
Mein Deutsch ist doch kaputt!
Entrando em casa, encontrei uma mãe super simpática – e curiosa, como toda mãe. Mas que não falava nada de inglês – quanto menos português, é claro. Foi divertido, consegui me apresentar – e novamente foi tudo! Ursula, o nome dela (descobri hoje, há pouco). Aqui chamamos de Ushi!
Conhecendo ela, descobri que definitivamente mães são melhores professoras – ao menos de idioma (e isso me lembrou minha bonitinha de volta!!). Como descobri isso? Simples... Quando eu pegava algo na mão, ou quando ela me oferecia, ela dizia o nome e me olhava, esperando que eu repetisse para ver se aprendi. Foi bem legal, e a primeira palavra foi Mosreich (mostarda; nicht gut rsrs).
A Ushi tem uma pousada super simpática aqui, onde estou hospedado por esta semana. É um lugar muito bem construído, com um jardim bem legal. Eu podia mesmo morar aqui, não precisava de mais nada.
Até porque não tem mais nada. Elgersburg é tão pequena que andamos cerca de 5 minutos de carro e já estamos em outra cidade. Aliás, em 5 minutos estamos no centro da outra cidade!
E por falar em cinco, cinco quilômetros é o que a mãe do Willy corre com certa freqüência. Como bom corredor, já disse que correrei com ela. O percurso? A floresta que tem ali há poucos metros da casa. Parece divertido – e difícil, uma vez que estamos num morro lembra?! Ela também nada e pedala, mas pedalar vai ser complicado por aqui (sem uma bicicleta...).
De qualquer forma, nem parece que hoje ainda é segunda-feira. O dia é super longo – principalmente porque quando aqui é meio-dia no Brasil o dia está apenas começando. Isso faz parecer que a noite daqui é a tarde daí, e então parece que temos muito tempo! Ainda há pouco falei com o pessoal no escritório, e agora já são 22h30 – posso receber até um processo por falar com o pessoal a este horário sem pagar hora extra!
Um grande empecilho encontrado aqui por mim também foram as tomadas. Primeiro pois são 220V (mas isso não me surpreende, macaco vacinado não fica doente) e segundo porque o padrão é diferente. Ou seja, nada do que eu trouxe liga na tomada. Esse problema, porém, foi simples... Fomos a Ilmenau e compramos o adaptador.
Por falar em Ilmenau, ali experimentei o verdadeiro gosto da frente fria alemã – e tive saudades da frente fria curitibana. Nossa, Curitiba é muito quente!! Mas o clima é o de menos, até a garoa tinha gosto alemão e me fazia rir...
Entramos num café pequeno no centro da cidade, que me lembrou a rua XV. Fotos? Nichts, chovia! Mas a memória fica... O cappuccino de EUR 1.7 rodeado de velhinhos foi bem legal, e depois fomos ao mercado. Incrível. Tudo aqui é barato! Assim, barato mesmo! É claro que se você converter os preços é caro, mas o alemão é muito feliz nesta parte: ganha muito, gasta pouco e está tudo bem! Um red bull, por exemplo, custa EUR 1.5, e uma barra de chocolates grande custa EUR 0.39! E ainda é chocolate alemão!!
Os alemães tem mesmo uma queda especial pela salsicha. Salsicha é wurst em alemão; existe tudo-que-se-possa-imaginar-wurst aqui. Weißwurst, Rotwurst, tudowurst. Ainda não experimentei, mas ainda tem tempo... Aliás, é só o primeiro dia e já escrevi umas oito páginas. Em duas semanas acho que sai um livro!
Comi alguns confeitos diferentes também. Vi num filme (olha a citação de cultura de massa, mas tudo bem) chamado A Praia que, se vamos a algum lugar, devemos estar dispostos a conhecer mesmo a cultura local. Bem, vim pra cá com esta cultura – e estou experimentando de tudo! Ai se minha mãe sabe hehehe... Mas mãe, se serve de consolo, não estou gostando de quase nada que eu já não gostava! : )
Mas uma coisa que eu gostei – ou ao menos comi sem problemas – foi torta de queijo – ou kuki de queijo. Aliás, kuki é mesmo um bolo alemão: eles tem MUITOS tipos aqui! Não é papo de catarina...
Meu alemão agora, no fim do dia, já começa a melhorar. Tive de ir a uma loja comprar roupas formais de frio, uma vez que só trouxe roupas formais “de calor” (paletó? Pullover? Nichts!). O Willy teve de trabalhar, mas a Ushi me levou para Ilmenau e compramos. Consegui falar mais de quatro frases com ela, foi legal!! Ela me ensinou os verbos aufmachen e zumachen (eu já sabia, mas lembrar?! Nichts...) e algumas palavras de vocabulário. Também me deu a opinião sobre a roupa, e me ajudou a dizer o que os alemães consideravam formal e o que não consideravam. Foi produtivo, fiquei feliz! E comprei um pullover bem bonito por EUR 25. Nicht teuer, nicht billig... Mas entendi direitinho quando a moça do caixa falou EUR 25.
Na volta de Ilmenau, minha mala já estava aqui. Bom, muito bom! Agora estou tranqüilo em relação a isso, e mais tranqüilo ainda fiquei em saber que “água na europa é caro” é tudo balela. É claro, eu ainda desconfio disso, e desconfio se me disserem que as pessoas “gostem de gastar” água (como no Brasil), mas é mito! O povo aqui é que não gosta mesmo de tomar banho. Cascão!
E cascões num país fazem da coisa toda uma coisa engraçada: ninguém te olha torto se você cheira bem (e “gastou muita água tomando banho”), mas ninguém te olha torto se você cheira mal (e muita gente cheira mal)! Mas o Willy dá risada enquanto diz, em português, “muito fedido!”. E eu dou risada junto, concordando e agradecendo em silêncio por não precisar ficar sem meus dois banhos diários.
Não, calma pai... Não pule da cadeira, meus dois banhos diários são bem curtos. Na verdade, não passo nem 20 segundos com a água aberta. É mais ou menos assim. Primeiro eu tiro a roupa. Depois posiciono o box numa posição que seja rápido para entrar e fecha-lo depois que a água estiver correndo. Então, ligo a água e espero alguns segundos. Quando ela chega na temperatura do meu corpo eu entro e me molho! Mal ela terminou de esquentar e eu já me olhei, então ela é fechada! Ensaboa em cima, ensaboa no meio, ensaboa em baixo, esfrega aqui, esfrega lá, e está tudo bem! Liga a água de volta, enxágua, e pronto! Banho tomado... Não demora 2 minutos no total, e saio me sentindo super bem!
Ah, a Alemanha é mais fantástica que eu esperava... Eu esperava um país onde, pelo menos, eu precisasse gastar MUITO dinheiro pra viver. Até agora, acho que teria gastado mais se tivesse no Brasil. Ah, se tivesse lá solteiro, claro (e quando minha bonitinha ler isso espero que ela já esteja fora da TPM hehe)...
Mas é isso. Amanhã vamos para München. Vai ser interessante, vamos pegar a Highway. Segundo consta, dá pra ir a 240km/h. Não sei até agora se gostei da idéia, mas eu tenho que experimentar de tudo, não é mesmo?! Abraços, e-ponto.
Mein Deutsch ist kaputt!
Em Frankfurt a coisa foi mais legal. Eu daaava risada de ouvir todo mundo falando alemão. Estava feliz! Eu lia com gosto a placa que dizia “Gepäckausgabe”, como se meus dois anos de alemão tivessem realmente valido para alguma coisa. Doce ilusão. Poucos minutos depois eu iria descobrir que não conseguia nem falar direito que “eu não falo alemão”. Tudo bem, agora eu já consigo – no que os alemães simpaticamente me respondem “ein bisschen” (“um pouco”, mencionando o que eu acabei de dizer em alemão). Eu respondo com as mesmas palavras, sorrio, e é tudo!
Mas são simpáticos mesmo! Todos os que conheci até agora ficaram muito interessados quando me ouviram conversando em português com o Willy; todos querem saber do Brasilien. E eu querendo saber da Alemanha que, por sinal, é muito velha. Como tem idoso aqui, é incrível! Tudo bem que era segunda-feira 14h quando fomos para Erfurt tomar um café, mas no Brasil não teria ninguém na rua a esta hora! Aqui tem muitos velhos!
Ainda assim, muito nova foi a notícia que ganhei quando a esteira das bagagens foi lentamente parando. Olhei à minha volta e tinham apenas outras 4 pessoas. Onde estava todo mundo? E... onde estava a MINHA MALA?! ... é claro que perderam... Ora, eu despachei em CWB e peguei 3 conexões para chegar a Frankfurt. Você acha mesmo que minha bagagem faria a mesma coisa? Até porque eu passei por Portugal... Se no Brasil a gente não confia muito nas coisas, imagina em Portugal! E lá fui ao balcão da Lutfhansa atrás da minha bagagem...
O atendente me tranqüilizou com um “it happens a lot, it’s probably at Lissabone”. O Willy já estava do meu lado quando a questão das bagagens foi “deixada pra depois” e fomos comer algo. Aí tive uma surpresa! Por EUR12 comi um prato de spaghetti e um copo de Nestea. Barato, hã?! Se você não fizer a conversão, e pensar em 12 reais, você mal e mal come um McDonald’s... Quando os questionei (estávamos em 3, dois alemães e eu) sobre o preço, disseram que ali era barato mesmo.
A primeira coisa que o Willy tomou a liberdade de me falar deixou a namorada dele nervosa (ele contou pra ela o que me havia dito antes), mas eu não liguei (achei até legal da parte dele): é que as roupas que eu vestia (agasalho esportivo, é claro, são 24 horas de viagem!!) são roupas que, aqui na Alemanha, são utilizadas somente por pessoas desempregadas. Aliás, aqui a vida destes é folgada: o governo dá casa, calefação e salário para outras despesas. Os alemães têm este tipo de roupa, mas pra usar em casa! E de fato... tênis na rua? Que esquisito! Ninguém usa isso aqui! Mas bem, eu sou turista... tá tudo bem!
Pegamos um trem elétrico para ir até Erfurt, e de lá até Elgersburg. As paisagens são muito bonitas aqui, parece bem com as fotos que vemos da Europa. E as cidades parecem bem com Blumenau, só que mais organizadas! É incrível isso, mas tudo parece funcionar aqui no país...
No trem de ontem, por exemplo, um casal entrou com suas bicicletas. Como era tarde da noite, eles encostaram as bicicletas, sentaram e dormiram! Sim, dormiram! Com a mala no banco ao lado e a bicicleta “lá longe”. Imagina isso no Brasil?! O cara acorda até sem cabelo!
Elgersburg tem cerca de 1000 habitantes, e fica “subindo um morro”. De fato, não lembra em nada uma favela, mas é num morro. E é fantástica... Eu não parava de olhar para os lados, aproveitando o pouco da luz que vinha de alguns postes para olhar as construções. Por sinal, Elgersburg significa “Castelo de Elgers”, que foi um cavaleiro alemão. Ou seja, tem um castelo na cidade! Basta abrir a minha janela do quarto e tem um castelo na frente dela. É fantástico... Acho até que o castelo é uma pousada, pois o Willy falou que um dia eu TENHO QUE ficar lá. Ele enfatizou tanto que já estou até fazendo a poupança rs...
Pensa numa fila
Quando fiz o check-in no Galeão, a moça me indicou que eu devia ir até o Terminal 1 para registrar os eletrônicos de saída, e depois embarcar no Terminal 2. Eram pouco mais de 14h e eu devia embarcar até as 16h, e o Terminal 1 – que parecia ser ali na esquina pela forma como a moça falou – acabou que ficava há mais de 2km de distância – a pé, claro.
Preocupado com o horário, praticamente corri até o outro terminal, registrei a bagagem e voltei para o embarque. E até parece que tinha pouco tempo... Eram 15h30 quando eu entrei, mas devia embarcar apenas às 17h15. Espera longa...
Como eu só trouxe livros estrangeiros, e eu tava de saco cheio deles, resolvi comprar um Sudoku – e uma caneta. A caneta custou a mesma coisa que o livro (só no Brasil?), mas assim que minha bunda encontrou o assento da cadeira da sala de espera soaram os primeiros acordes do Samba de Verão. Acho que nenhum dos eventos tinham ligação, mas a flauta que iniciou poucos segundos após me fez levemente arrependido pela compra. E ao mesmo tempo feliz de estar no Rio ouvindo bossa nova... Era o mínimo que eu esperava daquele lugar :).
Embarquei e lá se iniciava a viagem. Os primeiros 30km passaram tão rápido que eu imaginei que os próximos 7700 seriam moleza. Doce engano... Depois que o número ganhou 3 dígitos eu já não agüentava mais olhar aquele monitorzinho... Para a minha sorte, aparece “clique na tela para o programa de entretenimento”. E lá fui eu escolher quais filmes eu veria...
O chato de viajar contra o fuso é que você perde algumas horas de sono – e ninguém parece muito preocupado com isso. Eram ainda 23h quando eu resolvi dormir, mas 5h quando o café da manhã foi servido. O problema nisso? 5h eram na verdade 2h! Você dorme num fuso e tem que acordar no outro. Estou podre até agora, mas acho que a volta vai ser menos traumática...
Ao desembarcar em Portugal, fomos de ônibus até a entrada. Grande o aeroporto, mas pobre – como todo o resto da cidade, pelo que pude ver dos vidros de lá. Ainda assim, estava super legal. O sol nascia e eu, há pouco saído de um avião sugestivamente chamado “Vasco da Gama”, não parava de sorrir...
Até que eu parei de sorrir. PENSA NUMA FILA para entrar num país europeu... A imigração pareceu ser bem rígida, e a fila era enorme! Eram 7h e às 8h35 saía a minha conexão... Na fila, apenas pessoas que falavam português... Em geral, eram africanos ou algo parecido com isso (não eram afro-americanos, africanos mesmo...). Provavelmente o vôo anterior vinha dali, e eles pareciam estar bem tranqüilos – diferentemente dos brasileiros. Brasileiros aqui fora são engraçados – e reconhecíveis.
Dentre o reconhecível distinto grupo, vários personagens se destacaram. Um casal a poucas pessoas à minha frente me lembrou meus pais. O homem passava uma impressão tensa, de quem se preocupava com alguma coisa, e a mulher uma sensação desesperada, de quem realmente se preocupava com alguma coisa. Não demorou muito pra eu descobrir. Um funcionário do aeroporto passava apressado quando ela – tal qual minha mãe (desculpa, mãe! Hehe) – o chamou apressada e escandalosamente, como se ele realmente tivesse culpa daquela fila. Ela dizia que o vôo partiria às 8h. O funcionário a explicou, então, que os vôos que estavam para sair eram anunciados para as filas, e os imigrantes teriam prioridade para que não perdessem seu vôo. Outra questão: estamos na Europa! Se você perder um vôo eles vão pagar outro pra você! Paraece óbvio – mas não pra todo mundo. Pouco tempo depois, quando o rapaz anunciou o vôo lá longe (e ela não escutou), ela foi lá perto para verificar o que ocorria. Achei esquisito que ela foi e o marido ficou! E ela nem fez menção de chamá-lo... Mas também pudera: a nossa fila já estava por pouco, e o marido acabou entrando no país mais rápido que ela. Conclusão: mulheres em desespero tomam decisões estranhas... hehe (desculpe-me, bonitinha ehhehehe)
Também reconheci um chato, que entendia de tudo de um lugar (no caso, da França)! Não sei porque, mas sempre que reconheço um chato o olho com desdenho, mesmo sabendo que eu seria exatamente igual naquela situação (no caso dele, ele levava dois amigos para a França mas ele conhecia muita coisa lá). Daí eu entendo como é chato quem entende muito das coisas. Quer dizer, é legal, mas é chato. Não sei explicar, mas é chato. Sempre que vejo isso fico pensando que devo dar menos opiniões nas outras coisas, mesmo que saiba uma forma melhor ou pior de fazê-las...
Água brilhando, olha a pista chegando...
A viagem começou bem. Acordei – com sono – às 7h, tomei minha ducha matinal, meu café com leite e duas fatias de pão – sempre com margarina – e uma mãe sentada à minha frente já me olhava com cara de saudades. Havia visto aquele mesmo olhar na noite anterior, da minha bonitinha. Parece mesmo que as pessoas vão sentir saudades, mesmo sendo não mais do que quinze dias de viagem...
Depois das despedidas, dos “boa viagem”s e “daquele” abraço nos pais, entrei no salão de embarque. “Lá vamos nós”, pensei, “para a primeira seção de espera”: uma hora de aeroporto me aguardava – mas passou rápido. Entre alemães e cariocas, meu vôo estava repleto de pessoas simpáticas como eu gosto – quietas, sem assunto e no seu canto!
Quando o alto-faltante anunciara a divisão das filas para embarque, todos se aproximaram do portão. Havia quatro filas: prioritários, VIPs, a turma do fundão e os nerds (que sentam na frente). Fazendo uma breve análise da minha pessoa você já pode concluir que eu estava na quarta fila, é lógico.
O problema é que ninguém entendeu o propósito das filas, e quando todos viram que apenas estavam embarcando os passageiros da fila “prioritários” (como se a palavra nada quisesse dizer), todos correram para aquela fila. Uma chamada de atenção ao alto-falante e tudo volta ao normal. Um comentário na fila que deixei no vácuo – era muito cedo pra ser simpático...
Quando passei do portão, não conseguia mais esconder a alegria. Eu dava pulos por dentro, numa alegria de criança que até tenho vivido bastante ultimamente. Tutto a posto, vamos para a pista!
A decolagem, é claro, me lembrou uma rampa de parapente. Um avião acabara de pousar quando o A320 no qual eu estava começou a andar em direção à pista. Olhei a biruta – como bem instruído piloto que sou – e notei que deveríamos decolar da esquerda para direita. O piloto deve ter lido meus pensamentos, pois assim fizemos.
Olhei para Curitiba uma última vez. Estava encoberta – e com uma camada grossa. Poucos minutos depois, estávamos acima da camada – que se estendeu por toda a viagem. Lembrei-me do padre e sua teoria sobre “voar em tempo bom”. De fato, até que o tempo estava bom lá em cima, fazendo com que o padre tivesse total razão na sua teoria. Não sei por que meus amigos dizem que ele era louco...
O pouso não preciso descrever. O Tom já descreveu igualzinho...
E daí cheguei ao rio! Uma hora e pouco depois, estava desembarcando. A música “... o Rio de Janeiro continua lindo...” martela na minha cabeça com uma alegria de estar aqui. Não sei porquê, já que estou no Rio mas nem o Redentor eu vi!
Minha bagagem já despachei para a Alemanha, direto. Não senti lá muita firmeza moça da TAM quando a questionei sobre as chances de perda de bagagem, mas bem... Se a bagagem for direto, calculei, dá tempo de ser perdida e encontrada novamente! Então tudo bem. Como o tempo total de viagem (entre o primeiro embarque e o último desembarque) é de pouco mais de 24 horas, tenho bastante tempo de voltar a ser cristão, rezar pelo destino certo da minha bagagem e voltar ao ateísmo.
Por hora, estou me divertindo um pouco tentando aprender o carioquême divertindo um pouco tentando aprender o carioquateoltar a ser , mas bem... Se for pra perder, que perca s. É engraçado e estranho, mas aqui ninguém fala português: todo mundo fala porrtuguêix. E quem sou eu pra dizer que estão errado, hã?!
Ainda assim, o Tom e o Vinícius não saem da minha cabeça. Aliás, todo mundo aqui parece filho do Tom, do Vinícius ou do Jorge Ben. Existe algo na minha cabeça dizendo que este aeroporto deve estar cheio de artistas. Mas daí me lembro que a maioria dos melhores já morreram, então não faz muita diferença... O que faz mesmo diferença é um som horrível vindo de uma das lojas de turistas ali ao lado. Parece o Charlie Brown Jr, ou alguma dessas bandas de adolescente