quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Água brilhando, olha a pista chegando...

A viagem começou bem. Acordei – com sono – às 7h, tomei minha ducha matinal, meu café com leite e duas fatias de pão – sempre com margarina – e uma mãe sentada à minha frente já me olhava com cara de saudades. Havia visto aquele mesmo olhar na noite anterior, da minha bonitinha. Parece mesmo que as pessoas vão sentir saudades, mesmo sendo não mais do que quinze dias de viagem...

 

Depois das despedidas, dos “boa viagem”s e “daquele” abraço nos pais, entrei no salão de embarque. “Lá vamos nós”, pensei, “para a primeira seção de espera”: uma hora de aeroporto me aguardava – mas passou rápido. Entre alemães e cariocas, meu vôo estava repleto de pessoas simpáticas como eu gosto – quietas, sem assunto e no seu canto!

 

Quando o alto-faltante anunciara a divisão das filas para embarque, todos se aproximaram do portão. Havia quatro filas: prioritários, VIPs, a turma do fundão e os nerds (que sentam na frente). Fazendo uma breve análise da minha pessoa você já pode concluir que eu estava na quarta fila, é lógico.

 

O problema é que ninguém entendeu o propósito das filas, e quando todos viram que apenas estavam embarcando os passageiros da fila “prioritários” (como se a palavra nada quisesse dizer), todos correram para aquela fila. Uma chamada de atenção ao alto-falante e tudo volta ao normal. Um comentário na fila que deixei no vácuo – era muito cedo pra ser simpático...

 

Quando passei do portão, não conseguia mais esconder a alegria. Eu dava pulos por dentro, numa alegria de criança que até tenho vivido bastante ultimamente. Tutto a posto, vamos para a pista!

 

A decolagem, é claro, me lembrou uma rampa de parapente. Um avião acabara de pousar quando o A320 no qual eu estava começou a andar em direção à pista. Olhei a biruta – como bem instruído piloto que sou – e notei que deveríamos decolar da esquerda para direita. O piloto deve ter lido meus pensamentos, pois assim fizemos.

 

Olhei para Curitiba uma última vez. Estava encoberta – e com uma camada grossa. Poucos minutos depois, estávamos acima da camada – que se estendeu por toda a viagem. Lembrei-me do padre e sua teoria sobre “voar em tempo bom”. De fato, até que o tempo estava bom lá em cima, fazendo com que o padre tivesse total razão na sua teoria. Não sei por que meus amigos dizem que ele era louco...

 

O pouso não preciso descrever. O Tom já descreveu igualzinho...

 

E daí cheguei ao rio! Uma hora e pouco depois, estava desembarcando. A música “... o Rio de Janeiro continua lindo...” martela na minha cabeça com uma alegria de estar aqui. Não sei porquê, já que estou no Rio mas nem o Redentor eu vi!

 

Minha bagagem já despachei para a Alemanha, direto. Não senti lá muita firmeza moça da TAM quando a questionei sobre as chances de perda de bagagem, mas bem... Se a bagagem for direto, calculei, dá tempo de ser perdida e encontrada novamente! Então tudo bem. Como o tempo total de viagem (entre o primeiro embarque e o último desembarque) é de pouco mais de 24 horas, tenho bastante tempo de voltar a ser cristão, rezar pelo destino certo da minha bagagem e voltar ao ateísmo.

 

Por hora, estou me divertindo um pouco tentando aprender o carioquême divertindo um pouco tentando aprender o carioquateoltar a ser , mas bem... Se for pra perder, que perca s. É engraçado e estranho, mas aqui ninguém fala português: todo mundo fala porrtuguêix. E quem sou eu pra dizer que estão errado, hã?!

 

Ainda assim, o Tom e o Vinícius não saem da minha cabeça. Aliás, todo mundo aqui parece filho do Tom, do Vinícius ou do Jorge Ben. Existe algo na minha cabeça dizendo que este aeroporto deve estar cheio de artistas. Mas daí me lembro que a maioria dos melhores já morreram, então não faz muita diferença... O que faz mesmo diferença é um som horrível vindo de uma das lojas de turistas ali ao lado. Parece o Charlie Brown Jr, ou alguma dessas bandas de adolescente em decadência. Mas não havia outra tomada neste aeroporto... É o preço que se paga por se ter um laptop sem bateria...


As impressões vão crescendo. A viagem com certeza será fantástica – mas isso também escreveu em seu diário o personagem principal do livro Dracula enquanto estava indo para o castelo do conde (o nome do personagem não lembro, mas quem se importa?!). E a viagem dele não foi tão fantástica... Então, vamos aguardar! Abraços, e-ponto.

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